A azeitona de mesa, embora muitas vezes percecionada como um produto simples, é o resultado de processos tecnológicos rigorosos e diversificados. A sua transformação obedece a critérios específicos de maturação, preparação e apresentação, com impacto direto na qualidade sensorial, segurança alimentar e adequação ao mercado.
A coloração da azeitona reflete o seu estádio de desenvolvimento fisiológico:
- Verdes: colhidas antes da maturação completa, apresentam firmeza e teor fenólico elevado.
- Mistas: em transição entre verde e madura; apresentam coloração heterogénea.
- Pretas: colhidas maduras ou escurecidas por métodos tecnológicos. A maturação completa resulta em menor amargor, maior teor lipídico e textura mais suave.
A cor influencia o método de elaboração e as condições de fermentação e conservação subsequentes.
Classificação tecnológica pela forma de elaboração
1. Azeitonas Tratadas (Estilo Sevilhano)
Submetidas a tratamento alcalino (normalmente com hidróxido de sódio), que promove a hidrólise dos oleuropeósidos responsáveis pelo amargor. Após a lavagem, são colocadas em salmoura, onde ocorre fermentação láctica parcial ou completa. Pode ser adicionada acidificação final para estabilização.

Figura: Diagrama de fabrico de azeitonas verdes (estilo Sevilhano)
2. Azeitonas ao Natural
Fermentadas diretamente em salmoura, sem tratamento alcalino prévio. A fermentação é espontânea, sendo influenciada por fatores como o pH, salinidade e temperatura. Apresentam sabor mais intenso e perfil fenólico distinto.

Figura: Diagrama de fabrico de azeitonas de fermentação natural
3. Azeitonas Desidratadas ou Enrugadas
Podem ou não ser tratadas com base alcalina. São submetidas a desidratação por:
- Sal seco,
- Aquecimento controlado,
- Técnicas combinadas.
Este processo reduz a atividade de água, conferindo estabilidade microbiológica e textura enrugada.
4. Azeitonas Escurecidas por Oxidação (Estilo Californiano)
Submetidas a oxidação forçada em meio alcalino (geralmente com ar ou peróxidos), o que promove escurecimento uniforme. Após estabilização, são conservadas em salmoura e esterilizadas termicamente. Não ocorre fermentação natural.

Figura: Diagrama de fabrico de azeitonas pretas oxidadas (Estilo Californiano)
5. Especialidades Regionais ou Processos Alternativas
Incluem métodos tradicionais não normalizados, muitas vezes associados a práticas locais. Exemplo: azeitonas descaroçadas em salmoura ácida conhecidas como “alcaparras” transmontanas.


Classificação tecnológica pela forma de elaboração
1. Inteiras
Com caroço intacto. Podem ser retalhadas ou parcialmente divididas para facilitar a penetração da salmoura.
2. Descaroçadas
Com caroço removido por processos mecânicos. Podem ser: em metades, em quartos, em rodelas ou fatias, picadas e quebradas
3. Recheadas
Azeitonas descaroçadas que incorporam ingredientes como pimento, amêndoas, anchova ou pasta de azeitona. Exigem elevada precisão nos processos de enchimento e conservação.
4. Pasta
Produto obtido por trituração da polpa. Pode ser estabilizado por acidificação ou pasteurização, dependendo do destino comercial.

Todos estes métodos implicam conhecimento técnico em microbiologia aplicada, controlo de processos fermentativos, tecnologia de conservação, equipamentos específicos e normas de qualidade (ex. Codex Alimentarius e normas do COI – Conselho Oleícola Internacional).
Este tipo de domínio é fundamental para quem pretende atuar na fileira da transformação da azeitona de mesa, seja em unidades de produção, desenvolvimento de produto, I&D ou controlo de qualidade.
Saiba mais sobre o tema no nosso curso de Tecnologia de Azeites e Azeitonas de Mesa, com o Professor Doutor Nuno Rodrigues, do Instituto Politécnico de Bragança.
