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Os negócios da floresta

Potencialmente Portugal tem condições de solo, clima e alguma disponibilidade territorial, que permitem um desenvolvimento florestal competitivo devido a forte crescimento das árvores, fazendo com que a madeira e a cortiça das nossas florestas, sejam responsáveis pela criação, manutenção e utilização de uma importante riqueza, económica, social e ambiental, de elevado valor acrescentado. No entanto, muitos dos produtores florestais têm dificuldade em obter rentabilidade quando investem na floresta, assumem riscos elevados devido às pragas e ao risco de fogo e por outro lado, há perda de competitividade por preços baixos da indústria, tendo a importação de material lenhoso subido em 2012 atingido valores entre os 20 e os 30% para a indústria associada na AIFF. O grande problema de Portugal é que tem um défice que se agrava todos os anos nas espécies que tem plantadas, deveria diversificar, criar indústrias de menor dimensão para subfileiras específicas, e os preços fixados pela indústria são demasiado baixos, não motivando os investimentos na floresta, deveriam os reguladores atuar no sentido de tornar o mercado mais equilibrado para todos os elos da fileira. Quanto mais baixos os preços se mantiverem ao longo do tempo, mais défice potencial de abastecimento de Portugal terá, mais abandono haverá e entramos num ciclo vicioso que levou ao estado atual da floresta. Falta investigação permanente para se conseguirem novos clones, seria expectável no pinheiro bravo para adaptação às diversas condições de solos e microclimas, castanheiro, etc. ou utilização de outras espécies geneticamente mais evoluídas, mais produtivas e mais resistentes às pragas. Há boa integração produção e indústria na subfileira da pasta e papel, e na subfileira da cortiça e problemas de integração na subfileira da madeira e mobiliário porque há uma espécie de pescadinha de rabo na boca, não há indústria por falta de produção e falta de produção por não haver quem seja tomador das produções, em quantidade e valor e regularidade na compra.

Na opinião da Espaço Visual o negócio das florestas está na sua gestão sustentável aproveitando os produtos lenhosos cultivados nas regiões de maior aptidão para cada espécie, tirando partido sempre que possível do melhoramento genético, seja o eucalipto, a fibra de eucaliptos globulus produzida em Portugal é de alta qualidade, seja o pinheiro bravo, recomenda-se fazer a sementeira na linha com 3 m de distância entre linhas, se o terreno for inclinado aumentar a entre linha para que o trator consiga passar sem tocar nas árvores, fazendo-o ao covacho com distância de 1,5 a 3,0m conforme o terreno seja mais fértil ou menos fértil, desta forma pode-se produzir nos desbastes postes de vedações em madeira tratada e mais tarde postes de 5m de comprimento.

O negócio mais interessante na produção lenhosa é a produção de madeiras nobres para desenrolar, pois as madeiras maciças estão em desuso, como por exemplo, o carvalho com fuste direito de pelo menos 2,5 de altura, 15 anos fazer desbaste e utilizar este material lenhoso para a produção de cogumelos, sendo objetivo a obtenção de troncos com 35 cm de diâmetro entre 35 a 50 anos.

Para a Espaço Visual o negócio da floresta também passa pelas produções não lenhosas, sobretudo silvestres, não é preciso provocar a sua produção, cogumelos, frutos, resina, etc. ou não silvestres, como por exemplo, a apicultura, etc.

A Espaço Visual vê na produção de pinhão na região norte e centro de Portugal, onde o pinheiro cresce bem, uma oportunidade de negócio fazendo-se a sua enxertia sobre pinheiro bravo, tendo como objetivo promover o crescimento rápido e a entrada em produção precoce. Recomenda-se plantar com compasso apertado para incrementar a produtividade nos primeiros anos e mais tarde desbastar para colocar as distâncias adequadas à plantação adulta. É um negócio que suporta algum risco porque não há experiência para o efeito, mas com potencial de rentabilidade elevado, em linha com o esperado para as produções agrícolas.

A Espaço Visual regista como positivo no negócio das florestas o potencial aproveitamento de áreas florestais como pastagens para serem exploradas pelos pequenos ou grandes ruminantes, deste modo geram-se parcelas tampão na propagação dos incêndios, criação de riqueza pela produção de carne, leite/produtos lácteos, muitos destes produtos são endógenos de qualidade, fixam-se populações.

A Espaço Visual verifica que se estão a lançar experiências de intensificação da produção florestal com muito interesse para melhorar a rentabilidade dos produtores, tira partido de terras marginais para a agricultura, que têm alguma fertilidade de solo e da utilização da rega, sobretudo nos primeiros anos, juntando fertilizantes. Há notícias recentes de irrigação do eucalipto no aproveitamento de cantos de parcelas cuja rega é realizada por pivots e de plantações de sobreiros que encurtam em muitos anos a entrada em exploração da cortiça. São experiências a acompanhar para se verificar se poderão ser utilizadas de forma mais generalizada.