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Investimentos de jovens agricultores de 16 milhões de euros

18-01-2012

A empresa de consultadoria agrónoma "Espaço Visual" focalizou-se, em 2011, em projetos de instalação de jovens agricultores, revelou o seu responsável, José Martino, à "Vida Económica". Nesta área de negócio, o engenheiro agrónomo fechou o ano passado assessorando (através de planos de negócios, assessoria técnica a investimentos e exploração e à comercialização de produtos agrícolas) investimentos no valor de "16 milhões de euros, dos quais 9,5 milhões de apoios comunitários" e que resultaram na "criação de 224 novos postos de trabalho".

E conseguiram-no em atividades tão diversificadas como os pequenos frutos (mirtilos, framboesas, amoras), a vinha e o vinho, as plantas aromáticas e medicinais, a fruticultura (maçã e kiwi), a apicultura, os viveiros, o setor do leite, a horticultura, entre outros.
O mesmo responsável destaca, aliás, os apoios para a instalação de jovens agricultores em Portugal, que, em sua opinião, são "uma oportunidade de combate ao desemprego de jovens licenciados no mundo rural, bem como desempregados em geral, porque apoiam a 100%  projetos destinados a regiões desfavorecidas".
Questionado pela "Vida Económica" sobre a principal dificuldade no âmbito dos apoios públicos, José Martino fala com o conhecimento de quem lida dia a dia com o tema. E aponta o dedo ao facto de "o quadro de apoio à instalação dos jovens agricultores não ser estável". Aliás, refere, "em fevereiro de 2011 encerraram as ajudas de forma abrupta e momentânea, sendo retomadas em Junho e, nesta altura, não há ainda uma garantia dada pelo PRODER [Programa de Desenvolvimento Rural] do prazo temporal em que os apoios estarão a funcionar".
Diz José Martino que "circulam rumores de que o quadro dos apoios fechará dentro de pouco tempo e que, por isso, há muitos projetos a serem submetidos que não têm a devida maturidade temporal de avaliação e reflexão". Por isso, o responsável da Espaço Visual faz "votos para que a ministra Assunção Cristas determine um período temporal suficientemente longo" para vigorarem as ajudas à instalação dos jovens agricultores.

Necessidade de "crédito à habitação" para aquisição de prédios rústicos

Já quanto ao financiamento bancário dos projetos, hoje seriamente dificultados a todas as empresas, José Martino defende "a abertura, pela Caixa Geral de Depósitos, de uma linha de microcrédito, até 25 mil euros por proponente, para apoio ao investimento e tesouraria dos jovens agricultores".
A par disso, também advoga a "existência de um tipo "crédito à habitação", concedido com base no IRS do agregado familiar e hipoteca dos imóveis", destinado à "aquisição de prédios rústicos, pagamento de tornas a co-herdeiros e fundo de maneio para investimento na exploração agrícola".  
Ainda questionado sobre o PRODER e a continuidade de Gabriela Ventura como gestora do Programa, José Martino valoriza como "positiva a decisão" do atual Governo, bem como "a disponibilização da quota-parte do orçamento nacional para o pagamento das ajudas". Isto, embora não deixe de lamentar os atrasos de pagamentos por parte do IFAP, embora os compreenda, dado o "contexto da crise financeira que Portugal atravessa".
Fonte: Vida Económica, publicado em 16-01-2012


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