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2012 vai dar certo na agricultura

06-01-2012

Com mais de 25 anos de experiência a trabalhar no setor agrícola, posso dizer que já vi e já vivi de tudo. Já vi desânimo e esperança; dinamismo e anemia; tempos de vacas gordas e de vacas magras.

Estamos confrontados com um ano que dizem vai ser terrível. Talvez. Mas o maior ou menor grau de dificuldades que vamos defrontar apenas depende de nós. Da nossa capacidade, do nosso engenho, da nossa iniciativa. Deixem-me dar esta nota no início de 2012: a agricultura em Portugal tem razões para se tornar um setor económico de ponta e de sucesso. Este não é um pensamento positivo serôdio, mas baseado em factos.
Está muita gente nova a entrar na agricultura porque percebe que estão a ser criadas oportunidades de negócio. Esta gente nova traz dinâmica, traz inovação, traz um ar novo e sangue na guelra. É um bom sinal.
Mas também tem de trazer os pés bem assentes na terra: nada se faz sem trabalho, sem formação, sem conhecimentos. Perceber e conhecer o negócio é uma condição indispensável para o sucesso.
Pois bem: a agricultura em Portugal tem tudo para ajudar a alavancar a economia portuguesa. O mundo rural português está a deixar de ser para gente idosa mas a atrair cada vez mais gente jovem e que procura novas saídas profissionais num setor com ampla margem de progressão.
Temos muitos e bom produtos. Falta-nos, muitas vezes, escala competitiva. Em muitos jornais onde escrevo já propus que para se ganhar escala é necessário: criar um banco de terras, lançar o crédito tipo habitação para a agricultura e linhas de crédito específicas, fazer o cadastro dos prédios rústicos. É por isso que é importante uma estratégia política que defina prioridades e principalmente apoie os projectos dos jovens agricultores portugueses.
Já reuni com muitos ministros da agricultura. Uma estratégia só pode ter condições de sucesso se o seu principal responsável não estiver sempre a mudar. Mudar é ter de começar tudo do novo, da estaca zero. É perder muito tempo.
Não temos mais tempo a perder. Esta ministra da Agricultura está a fazer o seu caminho e o seu trabalho. É preciso que o continue, sem alterações de rota. A decisão de começar a pagar as ajudas aos jovens agricultores é merecedora de aplauso, porque é de quem percebe o que está em causa. 2012 tem tudo para dar certo na agricultura.


José Martino

Fonte: Vida Económica, publicado no dia 06-01-2011


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