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Nem 8 nem 80

16-12-2011

Na passada semana estive em Santo Tirso, na Escola Agrícola Conde S. Bento, uma instituição centenária, como orador num seminário subordinado ao tema: "Investir na agricultura?". A organização do evento pertenceu à empresa de consultadoria agrónoma "Espaço Visual", de que sou responsável, e na minha frente sentavam-se mais de 100 potenciais empresários agrícolas, que lotavam a vetusta sala daquele estabelecimento de ensino.
 

O tema do seminário era uma pergunta, como já constataram, e não uma afirmação. Porque é cada vez mais necessário que quem se queira abalançar a uma actividade agrícola se coloque a si mesmo essa questão: "Investir na agricultura?".
Durante muito tempo a agricultura portuguesa foi o parente (muito) pobre da nossa economia. O resultado está à vista e é desnecessário voltar a contar a história do que correu mal, dos erros estratégicos, das erradas prioridades políticas.
Actualmente, quando estamos atolados numa crise sem fim à vista, minados pela incerteza, de que a última cimeira europeia foi exemplo flagrante, assustados com o futuro, ouvimos quase todos os dias dos mais altos responsáveis a urgência em regressar à terra.
De repente, a agricultura passou a ser uma espécie de panaceia para todos os males, que nos vai salvar da miséria, que vai alavancar a nossa economia e fazermos retomar a via do crescimento e do emprego.
Como em quase tudo, somos um país do 8 ou do 80, mas, como diz o povo, "nem tanto ao mar, nem tanto à terra". É preciso que cada um pergunte a si próprio se está preparado para investir na agricultura.

É por isso que estes seminários são muito úteis, pedagógicos e estimulantes. Considero essencial que seja fornecida o máximo de informação prática a quem quer ser empresário agrícola.
Estou convencido que aquelas largas dezenas de futuros, espero eu, empresários agrícolas não deu o tempo gasto na Escola Agrícola Conde S. Bento por mal empregue. Mais vale uma dúzia de empresários agrícolas informados, realizados e com sucesso do que algumas dezenas de desiludidos, que não rentabilizaram o seu investimento por má informação.

É por isso que vou continuar a apostar nestas acções formadoras. O caminho do sucesso também passa por aqui. 

José Martino 

Fonte: Vida Económica

 


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